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Relações Internacionais

Estudo das relações de cooperação e conflito entre os atores no ambiente internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Economia Política Internacional - é uma subárea das relações internacionais. Trata da união dos campos de estudo da Política e da Economia, uma análise da dinâmica das interações dos Estados em busca de riqueza e poder, as relações complexas das atividades econômicas e políticas no nível internacional. Em sua origem nos anos 1970 destacam - se a escola britânica, liderada por Susan Strange e Robert Cox e a escola americana, com os estudos de Stephen Krasner, Robert Keohane e Joseph Nye.

 

Economia da Cultura - Na tradição anglo-saxã, o conceito de Economia da Cultura refere-se exclusivamente aos bens culturais produzidos no campo da arte, de forma a fazer diferenciação entre estes, e aqueles produzidos nas Indústrias Culturais (BENHAMOU, 2007). De fato, essa distinção tem por objetivo distanciar-se das críticas sociológicas. Na medida em que a cadeia produtiva da Economia da Cultura compreenderia o entorno que implica a produção da obra de arte e que envolve “mercado de trabalho, subvenção governamental, evolução do consumo, custo da proteção do patrimônio, entre outros” (DURAND, 2013, p.163). Na visão dos institucionalistas norte-americanos, a Economia da Cultura é vista como oportunidade para geração de riqueza e, segundo Benhamou (2007, p.17). O caminho escolhido por essa vertente, constituirá a base da análise do setor cultural sob a perspectiva econômica ao considerar conceitos como: “efeitos externos, investimentos de longo prazo, especificidade de remuneração, utilidade marginal , importância da ajuda pública ou privada” (BENHAMOU, 2007, p.17), consolidando assim, a inserção desse segmento na disciplina e na vida econômica.

 

Economia Criativa - termo cunhado por John Howkins em 2001, que estabelece a relação entre “a criatividade, o simbólico e a economia” (IPEA, 2013, p.21). A Economia Criativa “compreende setores e processos que têm como insumo a criatividade, em especial a cultura, para gerar localmente e distribuir globalmente bens e serviços com valor simbólico e econômico” (REIS, 2008, p.23). É vista por Madeira como “equilíbrio entre imperativos econômicos e o patrimônio de uma nação (...) sendo modo de capitalização da criatividade e do conhecimento” ( 2014, p.8).

 

Diplomacia Cultural - “utilização específica da relação cultural para consecução de objetivos nacionais não somente cultural, mas político, econômico e comercial” (BRITISH COUNCIL, conforme Ribeiro, 2011, p. 33), e abrange as seguintes ações: “intercâmbios culturais, promoção da arte e dos artistas, ensino da língua como veículo de valores, distribuição integrada de materiais de divulgação, apoio a projetos de cooperação técnica, integração e mutualidade de programação” (RIBEIRO, 2011, p. 31). Ela atua no estabelecimento de relações culturais entre os povos e “constitui uma das dimensões essenciais do relacionamento internacional contemporâneo” (RIBEIRO, 2011, p.51). Igualmente, ela tende a reduzir a xenofobia, promover a diversidade e é instrumento de conservação da paz e pode ser fonte de enriquecimento da comunidade internacional (RIBEIRO, 2011).

 

Relações Culturais Internacionais - visa desenvolver maior compreensão e aproximação entre povos e instituições em proveito mútuo. Também é caracterizada pela competição no campo econômico e cultural.

 

Agências de representação cultural internacionais - Instituições compostas por um misto de atores governamentais, intergovernamentais e não governamentais. Os agentes diplomáticos dessas instituições trabalham para a difusão de suas culturas nacionais no exterior e, assim, impulsionam as forças de mercado de oferta e demanda dos bens culturais produzidos em seus países de origem, impactando a geração de emprego e renda de produtores e artistas, consequentemente,  proporcionando significativa arrecadação de divisas aos seus países de origem, à exemplo dos 37,7 bilhões de libras em exportação do Reino Unido em 2015, segundo o relatório do Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS). Elas promovem uma política afirmativa de sua cultura nas regiões onde atua. Exemplos: Institut Goethe (agência alemã), Institut Français (agência francesa), Instituto Cervantes (agência espanhola) e British Council (agência inglesa).

 

Norte global - países desenvolvidos sócio e economicamente.

 

Sul global - países em desenvolvimento.

 

Colonização - proliferação de uma cultura universal por meio da cultura de massa também como forma de dominação pós colonização. Da perspectiva das críticas sociológicas da Escola de Frankfurt, a relação entre cultura e economia é vista como resultante da oportunidade de expansão da lógica do capitalismo sobre a cultura que tem por objetivo a dominação político-ideológica (LASMAR, 1987) na medida em que a arte se converte em mercadoria (SANTOS, 2014). Assim, na perspectiva do conceito de Indústria Cultural destes autores, a relação entre arte, cultura e comércio é vista como “manifestação maquinal produzida sob a égide do capital” (COSTA, 2013, p.136).

 

Países periféricos - “As regiões centrais são subsistemas da sociedade, organizados territorialmente, que têm uma alta capacidade de geração inovadora; as regiões periféricas são subsistemas cujas orientações de desenvolvimento são, em grande parte, determinadas a partir das regiões centrais, em relação às quais, elas (as regiões periféricas) permanecem em substancial dependência”FRIEDMAN, John. General Theory of Polarized Development. In: Growth Centers in Regional Economic Development. Niles Hansen Ed., New York: Free Press, 1972.

 

Soft Power - o conceito de soft power foi cunhado por Nye no início dos anos 1990 (RAMOS, 2006), consiste numa “forma de poder que se manifesta por meio da atração e persuasão que pode influenciar os outros” (NYE, 2012, p.118). Ele é entendido como uma forma de poder relacional   que apresenta como característica a capacidade de persuasão por meio do convencimento de corações e mentes. Dentre as principais ações relacionadas ao uso do soft power estão os intercâmbios, a diplomacia, a diplomacia pública e a propaganda. Os atores que exercem tais atividades são diversos e podem ser relacionados aos Estados, como também podem ser não - estatais, tais como Organizações Não- Governamentais (ONG’s), celebridades, entre outros.

 

Redes - a globalização proporciona novos recursos de poder aos atores, em especial aos não – estatais, e, quanto a isto, Nye afirma o importante papel das redes por sua capacidade em estabelecer vínculos transnacionais no desempenho da comunicação num cenário de interdependência para manutenção ou estabelecimento de status quo, e, em relação à projeção de poder no sistema internacional.

 

Políticas Públicas -  “As Políticas Públicas resultam, portanto, da atividade política, envolvem mais de uma decisão política e requerem várias ações estratégicas destinadas a implementar objetivos desejados. (RODRIGUES, 2013, p.52).

 

Referências

 

BENHAMOU, Françoise. Economia da Cultura. Editora: La Découverte, Paris, 2004. Tradução Geraldo Gerson de Souza – Ateliê Editorial, Cotia – SP, 2007.

 

COSTA, José Henrique. A atualidade da discussão sobre a indústria cultural em Theodor W. Adorno. In: Trans/Form/Ação vol.36 no.2 Marília May/Aug. 2013.

 

COORDENAÇÃO GERAL DO PLANO NACIONAL DE CULTURA. As Metas do Plano Nacional de Cultura. 2º Edição. Brasília, 2013.

 

DURAND, José Carlos. Política Cultural e Economia da Cultura. Edições Sesc. São Paulo, 2013.

 

FIRJAN. Mapeamento da indústria Criativa no Brasil. Disponível em: <http://www.firjan.com.br/EconomiaCriativa/pages/download.aspx>. Acesso em: 03 nov. 2016.

 

FRIEDMAN, John. General Theory of Polarized Development. In: Growth Centers in Regional Economic Development. Niles Hansen Ed., New York: Free Press, 1972.

 

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Panorama da Economia Criativa no Brasil. Brasília, 2013. Disponível em: <http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2026/1/TD_1880.pdf>. Acesso em: 21 de mar. 2016.

 

LASMAR, José Osvaldo. Economia da cultura: reflexões sobre as indústrias culturais no Brasil. Ministério da Cultura. Brasília, 1987.

 

MADEIRA, Mariana Gonçalves. Economia Criativa: implicações e desafios para a política externa brasileira. Ed. Fundação Alexandre Gusmão. Brasília, 2014.

 

NÚCLEO DE ESTUDOS E ANÁLISES INTERNACIONAIS, Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da UNESP - Universidade Estadual Paulista. Disponível em: <https://neai-unesp.org/a-economia-politica-e-as-relacoes-internacionais/> Acesso em: 11 out de 2017.

 

 

NYE, Jr. Joseph S. O futuro do poder. Tradução Magda Lopes. Ed. Benvirá. São Paulo, 2012.

 

OBSERVATÓRIO DA ECONOMIA CRIATIVA (OBEC). Disponível em: <http://www.ufrgs.br/obec/>. Acesso em: 03 nov. 2016

 

OLIVEIRA, Cristiane Marques. Intersecções entre a Diplomacia Cultural e a Economia Criativa: Cultura como recurso estratégico de Soft Power no Brasil. Belo Horizonte, 2016.

 

RAMOS, Leonardo; Zahran, Geraldo. Da hegemonia ao poder brando: implicações de uma mudança conceitual. Belo Horizonte, 2006. 30º Encontro Anual da ANPOCS. Disponível em: <http://www.anpocs.org/portal/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=3347&Itemid=232>. Acesso em: 01 out. 2016.

 

REIS, Ana Carla Fonseca. Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento: uma visão dos países em desenvolvimento. Editora: Itaú Cultural. São Paulo, 2008.

 

RIBEIRO, Edgard Telles. Diplomacia Cultural seu papel na Política Externa Brasileira. Ed. Fundação Alexandre Gusmão. Brasília, 2011.

 

RODRIGUES, Marta Maria Assumpção. Políticas Públicas.São Paulo, Publifolha, 2013.

 

SANTOS, Thamires Dias. Theodor Adorno: uma crítica à indústria cultural. In:  Revista Trágica: estudos de filosofia da imanência – 2º quadrimestre de 2014 – Vol. 7 – nº 2 – pp.25-36.

 

SECRETARIA DE ECONOMIA CRIATIVA DO MINISTÉRIO DA CULTURA. Relatório de participação brasileira I Mercado das indústrias culturais dos países do sul, por Carla Marques, chefia de gabinete da SEC. Disponibilizado por Ana Cristina Araruna Melo Secretaria-Executiva/Ministério da Cultura Chefe de Gabinete Esplanada dos Ministérios (2016). Brasília, 2016.

 

UNCTAD/PNUD. Relatório de economia criativa 2010: economia criativa uma, opção de desenvolvimento. Secretaria da Economia Criativa/MINC – Brasília; São Paulo: Itaú Cultural, 2012.

 

UNCTAD. Base de dados da Economia Criativa. Disponível em: <http://unctad.org/en/Pages/DITC/CreativeEconomy/Statistics-on-world-trade-in-creative-products.aspx>. Acesso em: 09 nov. 2016.

dependência para manutenção ou estabelecimento de status quo, e, em relação à projeção de poder no sistema internacional.

 

 

Bio

 

Cris Oliveira é artista, gestora cultural, curadora e analista internacional. É graduada em Relações Internacionais, formada em Artes Cênicas, especializada em Gestão Cultural e em Pesquisa e Composição Coreográfica pela Fondation Royaumont (FR). É também pesquisadora na área de Economia Criativa e Diplomacia Cultural. Sua trajetória profissional é amplamente interdisciplinar. Como artista foi bailarina na Cia. De Dança do Palácio das Artes (2001-2009) e desenvolveu vários trabalhos autorais circulando pelo Brasil e no exterior. Foi curadora e gestora de projetos culturais no Sesc Palladium (2012-2016, MG). É parecerista de projetos culturais e desenvolveu esse trabalho para a Fundação Municipal de Cultura de Blumenau – SC, FAC – Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (DF, 2017), para a Secretaria de Cultura de Goiânia (GO, 2017), Funcultura (PE, 2016), entre outras instâncias públicas como a Funarte – Fundação Nacional de Artes (comissão de seleção do Prêmio Klaus Vianna 2013). Foi coordenadora do projeto Interferências Brasil 2013, contemplado pelo Prêmio Iberescena e foi parceira na Philipina Cultura (MG) para gestão e produção de projetos. É colaboradora no livro Interferencia’s book (México, 2012), publicou artigo na revista Moringa sobre Arte e Direitos Humanos (2016), para o catálogo do FID – Fórum Internacional de Dança (2015) sobre Arte, Modernismo e Pós-estruturalismo e as revistas PROSA! (MG, 2012) e Ideias Editadas (AM, 2014) sobre Arte e Tecnologia. É membro do Fórum de Dança de Belo Horizonte e da Associação Dança Minas. Atualmente é consultora de Gestão e Produção de eventos na ONG Transparência Internacional - Programa Brasil e Coordenadora executiva e curadora do FID Outras Redes 2017.

 

 

 

 

 

 

foto: Guto Muniz